Alexandre de Moraes

Alexandre de Moraes

Com os ataques e as ameaças comerciais grosseiras, o presidente Donald Trump, tentando interferir nos assuntos internos do Brasil, deu de presente a Lula a poderosa bandeira do nacionalismo contra o perverso imperialismo americano. Era tudo o que faltava para alavancar a campanha de reeleição do presidente Lula. Um inimigo externo é a melhor arma de quem está no poder e pretende se reeleger — mais ainda quando enfrenta dificuldades com a sua imagem. De quebra, Trump ainda fez o favor de marcar o seu aliado Jair Bolsonaro com a pecha de entreguista e antipatriota, arrastando junto alguns bolsonaristas que se preparam para a disputa eleitoral. O cenário perfeito para alimentar o discurso nacionalista de Lula diante de opositores fragilizados pela sua relação com o imperialismo yankee. Trump teria carregado o seu grande inimigo brasileiro à reeleição.

Como não falta quem goste de ajudar o inimigo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, caiu em campo para amparar Jair Bolsonaro — aquele mesmo que gostaria de ver Moraes pendurado no mastro do Palácio Nacional dos Três Poderes. A extravagância e os exageros de Moraes na “meia prisão” do ex-presidente podem transformar o golpista e entreguista em vítima da truculência jurídica. E os eleitores adoram vítimas. Diante do risco real de Bolsonaro entrar numa embaixada, e da sua clara relação com as medidas de Trump, faz todo sentido a medida cautelar da tornozeleira eletrônica na sua perna, para monitorar seus movimentos. Até aí, ele não tinha nada que pudesse despertar piedade; era uma medida preventiva para evitar a fuga do réu. Mas a tornozeleira veio acompanhada de punições: proibição de sair à noite e nos fins de semana, como se ele só fugisse no escuro da noite brasiliense; proibição de falar com outros réus no processo de tentativa de golpe, depois que já foram realizados todos os depoimentos; proibição de usar redes sociais e, ainda, de falar com o filho nos Estados Unidos — medida completamente inócua, já que ele pode se comunicar por meio de parentes, amigos ou aliados. Punição, e não cautela — quase vingança pelas agressões e ameaças que vem recebendo de Bolsonaro. No auge da vingança, muito além de qualquer medida cautelar, Moraes decidiu restringir a manifestação de Bolsonaro através de lives nas redes sociais, mesmo em contas de terceiros. O golpista posa de vítima diante das medidas raivosas do ministro do STF.

Realmente, quem tem inimigos como Trump e Moraes nem precisa de amigos.